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O que são combustíveis sintéticos ou e-fuels?

O que são combustíveis sintéticos ou e-fuels?

Com a pressão a aumentar no sentido de substituir os combustíveis fósseis por alternativas mais ecológicas, as soluções vão surgindo. Uma passa pelos e-fuels.
11-06-2018

Os e-fuels são combustíveis sintéticos produzidos a partir da combinação de gás de hidrogénio (H2) e dióxido de carbono (CO2). Esta é uma das vias para reduzir a dependência e consumo de combustíveis fósseis.

Não existe uma única solução para substituir os combustíveis fósseis por fontes de energia renovável. São várias as propostas para criar, poupar e recuperar energia e é entendimento comum que elas irão coexistir e complementar-se no futuro. Os e-fuels, combustíveis sintéticos, constituem uma delas. A sua vantagem passa pelo facto de puderem utilizar a rede de abastecimento de combustíveis fósseis existente e não requererem qualquer adaptação dos atuais veículos com motor de combustão interna.

Carros elétricos e a pilha de combustível

Os veículos elétricos constituem uma forte aposta atual. Porém, se é verdade que, ao circularem, originam zero emissões, a eletricidade que consomem tem muitas vezes origem em centrais termoelétricas, que utilizam carvão ou petróleo. Daí a existência do conceito “well to wheel”, “do poço [de petróleo] à roda”: cálculo do valor das emissões decorrentes da produção da eletricidade para mover os veículos. Acresce que, se todas as viaturas fossem elétricas, a atual produção de eletricidade não cobriria o acréscimo de consumo.

Temos ainda os veículos a pilha de combustível, que usam hidrogénio para se locomover. Mas, além de tecnologia complexa e de necessitarem da criação de uma sofisticada rede de abastecimento, atualmente cerca de 95% de todo o hidrogénio é fabricado com matérias-primas de origem fóssil (carvão, petróleo ou gás natural), perdendo-se assim os ganhos ambientais. Há vários estudos para produzir não só hidrogénio, como eletricidade, gás natural, gasóleo e gasolina através de energias renováveis, mas ainda não se passou à fase de fabrico em massa.

O futuro dos combustíveis sintéticos

A implantação e disseminação dos combustíveis sintéticos (e-diesel, e-gasolina, e-gás, etc.) seria teoricamente rápida, com custos reduzidos e bem mais simples do que eletrificar todo o parque automóvel atual. São várias as empresas que estão a trabalhar na criação de um processo viável e exequível de produção de combustíveis sintéticos, como, por exemplo, a Bosch, ou a Audi em projetos conjuntos com a Etogas, a Viemann, a Joule, a Sunfire, a Global e a Bioenergy.

A Bosch é uma das empresas com estudos mais adiantados. O seu e-Fuel resulta da junção de CO2 e H2 para produzir diversos tipos de combustível sintético. O hidrogénio é produzido a partir da água e o CO2 pode ser obtido através da sua reciclagem por processos industriais ou capturado do próprio ar com recurso a filtros.

Ao contrário dos combustíveis fósseis e dos biocombustíveis, os combustíveis sintéticos podem ser neutros em emissões se forem produzidos unicamente com recurso a energias renováveis. Outra vantagem é que podem ser desenvolvidos para terem uma combustão praticamente sem fuligem, resultando na redução dos custos do tratamento dos gases de escape.

A favor dos e-fuels há outro dado importante: os automóveis são considerados os vilões em termos de poluição atmosférica. Porém, só os 15 maiores navios do mundo emitem mais óxido de azoto e enxofre para a atmosfera do que todos os automóveis do planeta. Junte-se a eles o resto da frota naval mundial e todos os aviões. Os automóveis podem mover-se com eletricidade, mas a eletrificação de barcos e aviões está longe de ser uma realidade. Já os combustíveis sintéticos podem ser usados desde já sem problemas não só em automóveis como em navios ou aeroplanos.

Então por que é que ainda não usamos e-fuel?

Para se fazer combustível sintético é necessário gás de hidrogénio ao qual é adicionado o CO2, para obter um combustível líquido. E aqui volta a pôr-se o problema da produção de hidrogénio. Para os combustíveis sintéticos terem emissões neutras teriam de ser feitos unicamente com recurso a energias renováveis.

Depois há ainda os custos de fabrico, que excedem os €1,50 por litro. E, apesar das investigações em curso, combustíveis sintéticos produzidos a preços competitivos por um processo ecologicamente sustentável ainda não passam de um possível futuro.

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