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Serão os carros movidos a ar comprimido o futuro?

Serão os carros movidos a ar comprimido o futuro?

Os combustíveis de origem fóssil parecem ter os dias contados e uma das alternativas é o ar comprimido. Mas será que tem futuro?
17-07-2018

Eletricidade, energia solar, pilha de combustível, combustíveis sintéticos... são várias as soluções de energias renováveis, umas mais viáveis do que outras, que se complementam para substituir a atual dependência e quase monopólio dos combustíveis fósseis (petróleo e gás natural) no que toca não só à locomoção dos carros mas também de aviões e navios. Muitas são as vias que se abrem e só o futuro dirá as que vão realmente vingar. Uma delas poderia ser ar comprimido para acionar os motores dos automóveis.

Os primórdios dos motores a ar comprimido

A ideia não é nova e os motores a ar comprimido foram usados desde o século XIX em locomotivas e autocarros. Depois de 1930 e da II Guerra Mundial, o aperfeiçoamento dos motores de combustão interna e o petróleo barato fizeram com que fontes de energias alternativas fossem colocadas na prateleira. Mas as crises dos preços do barril do crude (que num futuro mais ou menos próximo se irá esgotar) e, principalmente, a poluição do ar pelos motores que usam combustíveis fósseis obrigaram à reativação dessas soluções.

O inventor do motor a ar comprimido

O novo conceito de motor a ar comprimido foi desenvolvido pelo engenheiro francês Guy Nègre, que trabalhou nos anos 80 do século passado na F1 da Renault. Na época, o arranque dos monolugares era feito com ar comprimido e Guy Nègre pensou usar esse mesmo princípio para criar um veículo cujo propulsor fosse a ar comprimido. Fundou então, em 1991, no Luxemburgo, a Motor Development International SA (MDI). Em 2003, apresentou um protótipo, o AirPod, um veículo de 3 lugares com 200km de autonomia, 70 km/h de velocidade máxima, que pode ser reabastecido em 5 minutos.

O conceito é interessante - em teoria é um método de propulsão não poluente, o ar é grátis e existe em toda a parte. Por isso, vários fabricantes se interessaram pelo projeto. Entre eles a Tata, que, em 2007, comprou a licença da MDI para fabricar o AirPod na Índia e a start-up norte-americana Zero Pollution Motors, que em 2014 também adquiriu o direito de produzir o veículo a ar comprimido para os EUA.

Carros a ar comprimido

Numa abordagem diferente, em parceira com a MDI, o grupo PSA Peugeot Citroën anunciou em 2013 o Hybrid Air, um novo tipo de carro híbrido, que, ao invés de eletricidade, usa ar comprimido como segunda fonte de propulsão, em conjunto com um motor movido a gasolina. Os primeiros modelos de produção equipados com a tecnologia Hybrid Air deveriam ter sido lançados em 2016.

Com tantos projetos, porque é que ainda não há carros a ar comprimido a circular nas estradas? O principal senão é o de que, para comprimir o ar, é preciso eletricidade e boa parte desta vem de centrais termoelétricas, que usam petróleo. Depois, o processo de comprimir o ar, armazená-lo em tanques e utilizá-lo num motor é ineficiente e acarreta muitas perdas - a energia produzida pelo ar comprido é inferior à necessária para o fabricar. Por isso, os atuais carros a ar não são ecológicos - ou há uma volta de 180º nas tecnologias ou não há volta a dar. Mesmo excluindo desenvolvimentos futuros, os carros elétricos são muito mais eficientes.

carros a ar comprimido

Por isso, 2016 já lá vai e o projeto Hybrid Air da PSA, embora não tenha sido abandonado, está em banho-maria. O grupo tem tido dificuldade em encontrar parceiros para dividir os altos custos de desenvolvimento.

Quanto a outros parceiros da MDI, a entrada em produção do AirPod tem vindo a ser adiada. No caso da Zero Pollution Motors, aponta-se para 2018. A Tata, por seu lado, reviu a data de lançamento do AirPod para 2020. Em resumo: o ar que deveria alimentar os motores é o mesmo em que pairam as promessas desta tecnologia.

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